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Ex-governador revela que ''acertou'' propina de R$ 18 mi em obra do VLT

 
O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) confessou em depoimento ao Ministério Público Federal que acertou recebimento de R$ 18 milhões em propina da obra do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) de Cuiabá. A “colaboração” de Silval foi considerada importante para a deflagração da “Operação Descarrilho”, que apura fraudes na escolha do modal e ainda na execução da obra.

Por decisão do juiz da 7ª Vara Federal de Cuiabá, Paulo Sodré, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão, além da condução corercitiva do ex-secretário da Copa do Mundo, Maurício Guimarães. São investigados crimes de fraude a licitação, associação criminosa, peculato e corrupções ativa e passiva.

Segundo a decisão, Silval prestou depoimento em 7 de julho deste ano. Ele revelou que durante as tratativas para a execução da obra, ficou acertado com a empresa CR Almeida, que receberia um percentual do valor a ser pago pela obra. Este valor chega a R$ 18 milhões.

“A propina ficou acertada em 3% (três por cento) sobre o montante de R$ 600.000.000,00 (seiscentos milhões de reais) e ficou acertado que o pagamento se daria por intermédio de uma das empresas de João Carlos Simoni, "um empresário ligado ao grupo político" de Silval Barbosa e que, inclusive, é investigado no âmbito da denominada Operação Ararath em razão de sua relação com os integrantes da organização criminosa investigada naquela operação, com envolvimento em crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro”, diz trecho da decisão.

O ex-governador explicou que o “retorno” seria pago por intermédio da subcontratação da empresa de João Carlos Simoni pelo consórcio vencedor da obra. Todavia, ele informou ais procuradores que não recebeu o total acertado. “Os pagamentos de propina nesse caso foram efetivamente feitos dessa forma, mas não foi recebido todo o valor da propina ante o término do Governo e não conclusão das obras e não execução de todos os pagamentos previstos”, assinalou.

SUBCONTRATAÇÃO

Apesar de ter negociado o “retorno” de R$ 18 milhões, Silval garante que o dinheiro não chegou as suas mãos. Isso porque, ele foi utilizado para quitar uma dívida de R$ 29,5 milhões contraídas pela Todeschini Construções e Terraplanegens junto ao Banco Rural no ano de 2012. O valor foi utilizado para quitar dívidas referente a campanha de 2010, quando Silval se reelegeu governador.

O empréstimo teve como avalistas o empresário Wanderley Fachetti Torres e a Construtora Trimec Construções. Tanto Simoni quanto Fachetti são investigados da “Operação Ararath”. O governador explicou que o valor da propina foi utilizado para pagar esta dívida com o empresário.

“A propina negociada por Silval Barbosa e Maurício Guimarães com os representantes da CR Almeida acima citados tinha como objetivo suprir João Carlos Simoni de recursos para pagar a dívida contraída perante o Banco Rural, assim o dinheiro era desviado, mas não retornava para os agentes políticos, sendo direcionado ao pagamento do banco”, diz trecho da decisão.

As investigações apontaram que a empresa subcontratada pelo consórcio foi a Cohabita Construções Ltda. Ela está em nome dos filhos de João Carlos Simoni e foi uma das principais beneficiárias do consórcio VLT Cuiabá – Várzea Grande.

“A análise bancária contida no Laudo de Perícia Criminal n° 856/2016, acostado às fls.700/751 dos autos, revela que um dos "principais destinatários pessoas jurídicas que receberam recursos do Consórcio CR Almeida — Santa Bárbara foi a empresa Cohabita Construções Ltda, que recebeu, apenas no período compreendido entre 01/07/2012 e 13/03/2014, R$ 16.2016.489,44, com destaque para diversos pagamentos, em valores altos e "fechados", conforme ilustrado na informação policial anexa”, assinala a decisão.

 

 

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