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Detentos trabalham em necrotérios de El Paso, no Texas, em meio a forte alta nos casos e morte por Covid-19

Autoridades da cidade na fronteira dos EUA com o México estão em alerta com os dados do coronavírus. Moradores relatam drama ao perder familiares para a doença.

 
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Vestidos com uniformes, protegidos por máscaras, luvas e óculos, os internos de uma prisão situada em El Paso colaboram com as autoridades do necrotério local, sobrecarregadas com o fluxo de cadáveres. Esta cidade nos Estados Unidos está sucumbindo a um avalanche de casos do novo coronavírus.

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Os detidos recebem dois dólares por hora para transportar os corpos até meia dúzia de caminhões refrigerados instalados fora do instituto médico legal de El Paso, depois que o necrotério da cidade ficou sem espaço.

"Se não há funcionários, ninguém para ajudar ou voluntários, ainda que sejam os presidiários, trata-se da única opção que temos", relatou Ricardo Samaniego, um alto funcionário do condado de El Paso, a uma emissora local.

Homem passa em frente a loja de roupas que vende máscaras em El Paso, no Texas (EUA) — Foto: Mario Tama / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP

Cartazes avisam sobre importância de lavar as mãos e anunciam venda de máscaras em El Paso, no Texas (EUA) — Foto: Mario Tama / Getty Images North America / Getty Images via AFP

El Paso, no oeste do Texas, é agora um dos maiores focos da epidemia nos Estados Unidos. Em dois meses, o número de casos de Covid-19 aumentou 242% nesse condado. Na quarta-feira (18), o total havia chegado a mais de 77 mil contaminados e 804 mortes.

Mais de 19% dos testes de Covid-19 têm resultados positivos em El Paso, acima da média estadual de 11%, 1 ponto percentual a mais do que o limiar crítico de 10% estabelecido pelo governador republicano Greg Abbott.

Na semana passada, o Texas se tornou o primeiro estado do país a ultrapassar um milhão de testes com resultados positivos para o coronavírus desde o início da pandemia.

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As últimas bênçãos, agora via Zoom

Tommy Zavala, morador de El Paso, no Texas, perdeu pai para a Covid-19 — Foto: Justin Hamel/AFP

Tommy Zavala perdeu seu pai Tomás na semana passada para a Covid-19.

Tomás tinha 82 anos e problemas respiratórios. Ele e sua companheira, Guadalupe, tinham abandonado todas as atividades sociais meses antes, não viam mais a neta e saíam de casa somente para fazer compras ou ir ao médico.

"O médico me disse: 'seu pai teve que ser entubado, ele está inconsciente'. Perguntei a ele: 'mas como, se ontem estava bem?'", lembra Tommy, de 53 anos, com os olhos marejados.

Tommy Zavala mostra retratos da família em El Paso, cidade no Texas devastada pela pandemia — Foto: Justin Hamel/AFP

Todos os dias, Guadalupe ficava em sua casa observando o hospital universitário em El Paso, onde seu marido estava hospitalizado, que fica em frente ao seu edifício. Porém, ela nunca pôde visitá-lo.

Os Zavalas conseguiram enviar um padre ao quarto do hospital para realizar as últimas bênçãos para Tomás, algo que testemunharam via Zoom.

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Eles ainda não sabem quando poderão recolher seu corpo ou organizar o funeral.

Tommy Zavala contraiu o vírus em outubro, depois que sua esposa Érica apresentou sintomas ao voltar das férias em uma casa alugada com alguns amigos.

Família Zavala fez pequeno altar para relembrar vítima da Covid-19 — Foto: Justin Hamel/AFP

Erica Salas, de 41 anos, que trabalha para uma seguradora e se descreve como "muito sociável", tomou consciência sobre a gravidade da pandemia nos últimos tempos.

"No início, pensei que o vírus só afetasse idosos ou pessoas com problemas prévios de saúde, mas 'abri os olhos' quando um amigo enfermeiro morreu de Covid-19 aos 39 anos."

Logo depois, ela mesmo contraiu o vírus. Hoje em dia, não só obedece às restrições locais, como "toma cuidado" e não vai mais a bares e restaurantes, mesmo que tenham o direito de permanecer abertos.

"Eu sobrevivi, mas tenho medo pelos outros", explica.

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