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'''Deathloop''' é mistura criativa de tiros, investigação e repetição temporal; G1 jogou

Game dos criadores de Dishonored oferece mistério instigante e diversas possibilidades para jogadores enfrentarem história como quiserem para superar pequenos problemas de mecânica.

 
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À primeira vista, "Deathloop" parece uma mistura de elementos instigantes quando isolados, mas cuja soma pode ser ambiciosa e confusa demais. Por sorte, a impressão dura pouco.

A combinação criativa de tiros, investigação e ciclo temporal, que obriga o jogador a repetir diversas vezes o mesmo dia, faz do game um dos mais criativos dos últimos anos.

O novo jogo do estúdio Arkane, criador de "Dishonored" e "Prey", é lançado nesta terça-feira (14) para computadores e PlayStation 5 como mais um bom representante de sua tradição em buscar novas formas de subverter gêneros consagrados.

Essas tentativas nem sempre funcionam totalmente, e o game sofre com algumas delas, mas supera seus problemas ao amarrar muito bem mecânicas com a história e ao oferecer aos jogadores a liberdade para enfrentarem os desafios como preferirem.

Assista ao trailer de 'Deathloop

Assista ao trailer de 'Deathloop'

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Volta o cão arrependido

Apesar da trama focada em um ciclo temporal à la "Feitiço do tempo" (1993) ou "Russian doll" (série de 2019, para os mais novinhos), "Deathloop" começa como se não tivesse tempo a perder sem grandes vídeos de apresentação ou contextualização.

De cara, o jogador encontra apenas um breve retrato de um assassinato brutal, visto em primeira pessoa pela perspectiva da vítima.

Em seguida, acorda em uma praia, sem ideia de quem é ou de onde veio, e descobre aos poucos que é caçado por grupos de maníacos armados e mascarados.

Enquanto reúne recursos para enfrentar os inimigos e se salvar da triste situação, descobre também que todos na ilha estão presos em uma anomalia temporal.

Quando morre ou atinge o fim do dia, o protagonista é enviado para o começo do mesmo período e tudo se reinicia.

E é exatamente por isso que é perseguido. Enquanto oito figuras poderosas lutam para manter a imortalidade dentro do ciclo, o objetivo do jogador é matá-los e assim escapar da repetição.

Em 'Deathloop' é preciso encontrar pistas e pensar em formas de derrotar os oito vilões — Foto: Divulgação

Estrutura da liberdade

Depois de um tutorial que prende o jogador em uma investigação inicial mais guiada, o game se abre em uma estrutura que ajuda a manter as coisas interessantes e livres, mesmo com a repetição.

Com divisão da ilha em quatro áreas diferentes, que podem ser visitadas em quatro períodos distintos antes que o dia seja reiniciado, cabe ao protagonista encontrar pistas e atalhos que o ajudem em sua missão final.

Com os inimigos espertos para seu plano e evitando se encontrarem no mesmo local em um só momento, cabe ao herói encontrar uma maneira de reunir o maior número deles para que todos sejam eliminados antes do fim da noite e inevitável recomeço.

Ao explorar os mapas, é possível encontrar armas mais potentes e algumas melhorias contidas em itens que facilitam o combate ou até ajudam a evitá-lo totalmente com uma estratégia mais furtiva.

Poderes ajudam em 'Deathloop' — Foto: Divulgação

Poderes especiais podem ainda ser coletados e melhorados ao eliminar cada um dos líderes – já que os vilões retornam no ciclo seguinte.

Enquanto algumas dessas habilidades são padrão e beiram o clichê obrigatório, como teletransporte ou telecinese, outras realmente ampliam possibilidades e estratégias.

Uma delas, por exemplo, conecta psiquicamente todos os adversários atingidos, deixando-os suscetíveis a tudo o que acontecer a um deles – um tiro na cabeça, por exemplo.

Por mais que a maior parte de itens e melhorias desapareçam com o fim do ciclo, é possível investir pontos coletados nas fases, e em equipamentos sacrificados, para torná-los permanentes mesmo após os recomeços.

Alta costura

Nada disso funcionaria se a busca por pistas não fosse tão bem costurada à mecânica cíclica do jogo.

Com algumas horas, o jogador descobre o tamanho do impacto de suas ações em momentos futuros, e consegue planejar seus passos para explorá-las da melhor maneira – evitando assim que a repetição fique, com a falta de uma palavra melhor, repetitiva.

Um menu que liga cada uma das pistas descobertas impede um pouco que o público chegue às próprias conclusões, mas uma história tão interessante e bem amarrada faz com que isso não se torne um problema tão grande.

Ao mesmo tempo em que protege o jogador de maiores frustrações, essa estrutura também provoca no jogador a satisfação de realmente estar desvendando um enigma gigante.

Armas diferentes ajudar a enfrentar variados inimigos em 'Deathloop' — Foto: Divulgação

Além disso, o ciclo ainda combina muito bem com o sistema básico de um game com morte e recomeço, que sempre destoa de qualquer narrativa mais realista.

Ironicamente, um jogo tão carregado do absurdo naturaliza um dos fundamentos mais surreais de jogos eletrônicos.

Furos no ciclo

Claro que tamanha ambição não escaparia sem problemas. Pelo menos na versão pré-lançamento enviada para jornalistas, o combate ainda apresenta defeitos irritantes.

Às vezes, por exemplo, um tiro dado de trás da proteção de um muro esbarra em uma barreira invisível nos limites da cobertura. Com isso, o alvo não só não é atingido como pode ser alertado pelo barulho e chamar reforços.

Em uma mecânica de confrontos tão punitiva a ponto de uma troca aberta de tiros com mais de três adversários ao mesmo tempo não ser indicada, já que mortes que podem custar todo o equipamento até ali, é um dos diversos problemas quase imperdoáveis.

Para piorar, a inteligência artificial dos adversários sofre para manter um equilíbrio.

Ao mesmo tempo em que esquecem da presença do protagonista que estão caçando dois segundos depois de avistá-lo por uma fresta a metros de distância, todos aqueles que são alertados pelos demais por algum motivo automaticamente sabem da localização atual do jogador, por mais que ele já tenha se reposicionado.

Há também um modo no qual é possível assumir a identidade de um dos rivais principais para invadir a história de outros jogadores e caçá-los, mesmo que o game em si seja focado na campanha individual.

A vitória garante algumas recompensas visuais para a história principal e itens melhores para futuras incursões.

É possível assumir a identidade de um dos inimigos de 'Deathloop' e invadir o jogo de outras pessoas — Foto: Divulgação

Da mesma forma, dá para permitir que seu próprio jogo seja invadido, o que aumenta o caos, o desafio e oferece outros prêmios.

Infelizmente, no momento antes do lançamento ainda não havia usuários o suficiente para testar direito a ideia, e nas poucas vezes que uma partida foi encontrada a conexão caiu em poucos segundos.

Parece muita coisa, mas são pequenos detalhes diante dos esforços para apresentar uma série de ideias interessantes que pareciam ter pouco em comum, mas cuja mistura funciona graças à criatividade e à vontade de apresentar algo que fugisse do óbvio.

Com seu "dia da marmota letal" e cheio de personalidade, "Deathloop" escapa de uma fria e se torna uma das mais instigantes novidades nessa nova geração de consoles.

 

 

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