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Assassinato do presidente do Haiti: promotor pede denúncia contra o premiê e é demitido em seguida

Pouco antes de ser demitido do cargo, promotor-chefe do país pediu ao juiz do caso para denunciar Ariel Henry, que falou com um dos principais suspeitos do crime e, portanto, foi considerado pelo procurador suspeito de participar do assassinato. Mois

 
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O promotor-chefe do Haiti, Bedford Claude, pediu ao juiz que supervisiona a investigação do assassinato do presidente Jovenel Moise para denunciar o atual primeiro-ministro do país, Ariel Henry pelo crime. Claude também pediu que Henry seja impedido de deixar o país.

Horas depois do anúncio, o primeiro-ministro Henry demitiu o promotor-chefe do cargo e deu posse a outro, Frantz Louis Juste, que foi responsável pelo caso do incêndio em um orfanato na capital Porto Príncipe no ano passado. Ainda não está claro qual será o impacto da troca de promotores nas investigações do caso.

Moise foi executado a tiros em sua casa, na madrugada do dia 7 de julho, sem que nenhum dos membros de sua segurança tenha sido ferido (veja mais abaixo sobre o crime e a investigação).

"Existem elementos comprometedores suficientes para processar Henry e pedir sua acusação direta", escreveu o chefe da Promotoria no pedido ao juiz Garry Orelien.

Claude também afirmou, em uma carta aos serviços de imigração do país, que o primeiro-ministro deveria ser "proibido de deixar o território nacional por via aérea, marítima ou rodoviária devido à grave presunção relativa ao assassinato do presidente".

Soldados guardam o caixão de Jovenel Moise, presidente assassinado do Haiti, durante o funeral oficial iniciado em 23 de julho de 2021 — Foto: Valerie Baeriswyl/AFP

Ligações com suspeito

O promotor-chefe do Haiti havia convidado Henry na sexta-feira (10) para uma reunião sobre a investigação, que seria realizada nesta terça-feira (14), porque o primeiro-ministro falou com um dos principais suspeitos do caso poucas horas após o assassinato.

Henry foi convidado, não convocado, porque legalmente um primeiro-ministro só pode depor no Haiti se o presidente autorizar, mas o cargo está vago desde que Moise foi morto.

O premiê teve vários telefonemas com Joseph Felix Badio, que foi diretor da unidade anticorrupção do Ministério da Justiça do Haiti e autoridades dizem ter tido um papel fundamental no assassinato. Ele está foragido.

Claude afirma que duas das ligações ocorreram às 4h03 e 4h20 do dia 7 de julho, poucas horas após o crime, e evidências mostram que Badio estava nas proximidades da casa do presidente quando as ligações foram feitas.

Em meio à investigação, o ministro da Justiça do Haiti, Rockfeller Vincent, enviou uma dura carta ao chefe da Polícia Nacional exigindo que ele aumentasse imediatamente a segurança do promotor-chefe, que havia recebido ameaças "significativas e perturbadoras" nos últimos dias.

'Manobras de distração'

Nem Henry nem nenhum porta-voz do primeiro-ministro se pronunciaram até o momento. No sábado (11), ele havia afirmado que "manobras de distração, para criar confusão e impedir que a Justiça faça seu trabalho com calma, não serão aprovadas".

"Os verdadeiros culpados, os autores intelectuais, os co-autores e os patrocinadores do assassinato hediondo do presidente Jovenel Moise serão encontrados, levados à Justiça e punidos por seus crimes", afirmou Ariel Henry.

Segundo a agência de notícias Associated Press, o premiê já havia dito anteriormente a uma rádio local que conhecia Badio e o defendeu, dizendo não acreditar que ele estivesse envolvido no crime.

Badio foi diretor da unidade anticorrupção do Ministério da Justiça haitiano. Ele se juntou à unidade em 2013, mas foi demitido em maio após "violações graves" de regras éticas (que não foram reveladas na época).

O primeiro-ministro do Haiti, Ariel Henry, fala em coletiva de imprensa em Porto Príncipe após o terremoto que atingiu o Haiti — Foto: Reginald Louissant Jr/AFP

Ameaças e morte durante investigação

Quarenta e oito pessoas, incluindo 18 colombianos e dois americanos de origem haitiana, foram presas como parte das investigações sobre o assassinato de Moise, que foi morto a tiros em sua casa sem que nenhum dos membros de sua segurança tenha sido ferido.

Em agosto, o jornal americano "The New York Times" revelou que um juiz e dois oficiais de Justiça estavam sofrendo pressão para alterar depoimentos de testemunhas e sendo ameaçados de morte.

Marcelin Valentin e Waky Philostène, os oficiais de Justiça, e Carl Henry Destin, o juiz, pediram apoio das autoridades de segurança, mas foram ignorados.

No mesmo mês, o juiz nomeado para supervisionar a investigação do crime renunciou ao cargo, alegando motivos pessoais, após um de seus assistentes morrer em circunstâncias pouco claras.

Em seu lugar foi nomeado Garry Orelien, o juiz que decidirá sobre o pedido para denunciar o primeiro-ministro do Haiti.

Pedido para premiê renunciar

Na segunda-feira (13), o Gabinete de Proteção ao Cidadão Haitiano publicou um vídeo exigindo a renúncia de Henry e pediu à comunidade internacional que pare de apoiá-lo.

"O primeiro-ministro não pode permanecer no cargo sem limpar essas áreas escuras", afirmou o advogado Renan Hédouville, que chefia o gabinete. "Você deve eliminar todas essas suspeitas."

O então presidente do Haiti, Jovenel Moise (ao centro), caminha junto à primeira-dama, Martine Moise; e o primeiro-ministro interino do país, Claude Joseph (à direita), em 18 de maio de 2021, durante cerimônia do 218º aniversário da criação da bandeira haitiana. Moise foi assassinado a tiros em casa, em 7 de julho de 2021, e a primeira-dama foi baleada. — Foto: Joseph Odelyn/AP

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